Safra de grãos pode atingir 366,6 milhões de toneladas

Projeção para 2026/2027 reforça necessidade de organização do escoamento, armazenagem e preparação das transportadoras para períodos de maior movimentação.
 Safra de grãos pode atingir 366,6 milhões de toneladas

Safra de grãos pode atingir 366,6 milhões de toneladas – A projeção de uma nova expansão da safra brasileira de grãos coloca o escoamento da produção novamente no centro das atenções para 2026/27. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), empresa pública vinculada ao Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar responsável por acompanhar a produção, o abastecimento e o mercado agropecuário no país, o Brasil pode produzir 366,6 milhões de toneladas, volume 1,4% superior ao ciclo anterior, em uma área estimada de 85,3 milhões de hectares. Se confirmado, o resultado será o maior volume da série histórica da Companhia. Soja e milho concentram parcela importante dessa movimentação, com previsões de 181,64 milhões e cerca de 148 milhões de toneladas, respectivamente.

As estimativas integram as Perspectivas para a Agropecuária 2026/27 e ainda dependem de fatores como condições climáticas, evolução do plantio e produtividade das lavouras. A própria Conab projeta ligeira redução da produtividade média nacional, de 4.335 para 4.296 quilos por hectare, com o crescimento da produção sustentado principalmente pela ampliação da área cultivada.

O avanço da produção representa também maior pressão sobre a estrutura responsável por levar esses volumes das regiões produtoras aos armazéns, indústrias, terminais e portos. Em períodos de maior concentração das colheitas, disponibilidade de veículos, programação de rotas, capacidade de armazenagem e coordenação entre os diferentes agentes passam a ter peso ainda maior para evitar gargalos e preservar a produtividade ao longo da cadeia.

A armazenagem aparece como um dos pontos de atenção. Segundo o Anuário Agrologístico 2026 da Conab, a capacidade estática está fortemente concentrada nas regiões Centro-Oeste e Sul, que reúnem quase 80% da estrutura nacional. A Companhia alerta que essa concentração pode aumentar a dependência de determinados corredores logísticos e sobrecarregar rodovias e portos em períodos de comercialização mais intensa.

Para Ludymila Mahnic, diretora comercial e operacional da Mahnic Soluções Logísticas, empresa que completa 55 anos de atuação no setor, o crescimento dos volumes projetados exige uma visão mais ampla da operação, especialmente porque diferentes etapas precisam funcionar de maneira coordenada para acompanhar o ritmo do agronegócio. “Um volume dessa dimensão aumenta a pressão sobre toda a cadeia logística, principalmente nos períodos de maior concentração da colheita, porque o desafio não está apenas em ter caminhões disponíveis, mas em coordenar frota, motoristas, rotas, janelas de carregamento, armazenagem e destinos com eficiência. Se esses pontos não estiverem bem alinhados, surgem filas, ociosidade, aumento de custos e perda de produtividade, por isso o Transporte Rodoviário de Cargas precisa estar preparado para responder a uma demanda que cresce em volume e também em complexidade”, afirma.

A sazonalidade do agronegócio acrescenta outra camada a esse desafio, já que grandes volumes podem se concentrar em determinadas regiões e períodos do ano, elevando a necessidade de veículos e recursos operacionais em espaços mais curtos de tempo. Antecipar cenários, portanto, ajuda as empresas a evitar que o aumento da movimentação comprometa a capacidade  de atendimento. “É importante acompanhar as estimativas de produção, conversar com os clientes e entender os volumes previstos para avaliar com antecedência a capacidade necessária. Com essas informações, conseguimos organizar melhor a frota, equipes, manutenção, rotas e demais recursos, mantendo também flexibilidade para responder a fatores como clima, ritmo da colheita e alterações de programação”, destaca Ludymila.

Além da estrutura das transportadoras, o desempenho do escoamento depende da sincronização entre diferentes pontos da cadeia, especialmente nos momentos de maior fluxo. Horários de carga e descarga, disponibilidade nos armazéns e programação de indústrias, terminais e demais destinos interferem diretamente no aproveitamento dos veículos, podendo gerar esperas e perda de produtividade caso essas etapas não estejam bem coordenadas.

Esse desafio tende a ganhar relevância em culturas como milho e soja, que juntas podem representar cerca de 90% da produção nacional de grãos projetada para 2026/27. O milho, sozinho, pode crescer 2,8% e atingir aproximadamente 148 milhões de toneladas, enquanto a soja é projetada em 181,64 milhões de toneladas.

 Safra de grãos pode atingir 366,6 milhões de toneladas