Golpes financeiros superam as vendas legítimas no e-commerce

De acordo com o levantamento, ações criminosas tiveram valor 60% superior do que as transações reais, em que 55% das fraudes do semestre partiram de dispositivos móveis. Essas informações são referentes a todas as bandeiras de cartões de crédito.
Golpes financeiros superam as vendas legítimas no e-commerce

Golpes financeiros superam as vendas legítimas no e-commerce – O ticket médio de golpes financeiros foi maior do que as vendas efetivas no e-commerce no primeiro semestre de 2024, segundo dados da Visa. De acordo com o levantamento, ações criminosas tiveram valor 60% superior do que as transações reais, em que 55% das fraudes do semestre partiram de dispositivos móveis. Essas informações são referentes a todas as bandeiras de cartões de crédito. 

egundo Felipe de Melo, advogado, especialista em Direito Civil e professor do curso de Gestão de Segurança Privada da UniCesumar, os cibercriminosos exploram táticas que envolvem manipulação emocional e fraudes digitais. “Mensagens urgentes sobre compras suspeitas ou bloqueios de cartão são comuns, levando a vítima a clicar em links maliciosos ou fornecer dados por telefone. Além disso, sites falsos, criados para imitar plataformas de e-commerce ou bancos, são usados para capturar informações financeiras. A exploração de vazamentos de dados também é uma prática recorrente, possibilitando o uso indevido de informações, como CPF e número do cartão”, pontua o especialista. 

Melo elenca os tipos de golpes mais comuns no uso do cartão de crédito: 

  • Clonagem de cartão: ocorre, geralmente, em maquininhas adulteradas ou caixas eletrônicos, em que os dados do cartão são copiados. 
  • Phishing: utiliza mensagens ou e-mails falsos, que imitam bancos ou lojas conhecidas, solicitando informações sigilosas. 
  • Engenharia social: técnica que explora a confiança da vítima, muitas vezes por meio de ligações ou abordagens que simulam ser de instituições financeiras. 
  • Compras não autorizadas: os criminosos utilizam dados vazados ou obtidos ilegalmente para realizar transações indevidas. 

Sofri um golpe financeiro, e agora? 

Melo destaca o passo a passo do que é recomendado fazer após ser vítima de um golpe financeiro. “O primeiro passo é notificar, imediatamente, a instituição financeira e solicitar o bloqueio do cartão para evitar novas transações indevidas. Em seguida, é essencial contestar a transação, pedindo o chamado chargeback. Para isso, o consumidor deve apresentar todos os detalhes do ocorrido, como data, hora, local da compra e, se possível, cópias de mensagens, e-mails ou qualquer outra evidência da fraude”, pontua. 

O professor também recomenda o registro de um boletim de ocorrência (B.O.), pois esse documento oficial fortalece o pedido de reembolso, principalmente em casos em que o golpe envolve clonagem de cartão ou transações realizadas sem autorização. 

No Brasil, o Código de Defesa do Consumidor (CDC) assegura que o cliente não pode ser responsabilizado por débitos não reconhecidos, desde que ele não tenha contribuído de forma direta para a fraude – como fornecer voluntariamente os dados do cartão em um site ou em mensagem suspeita. O banco, ou instituição financeira, tem a obrigação de investigar o caso e, caso a fraude seja constatada, ressarcir o valor ao cliente. 

Em caso de golpes envolvendo o Pix ou outros meios eletrônicos, Melo recomenda que o Mecanismo Especial de Devolução (MED), regulamentado pelo Banco Central (BC), seja recorrido. O recurso permite que as instituições financeiras façam o bloqueio e, eventualmente, a devolução dos valores enviados de forma fraudulenta. “No entanto, o MED só pode ser acionado em um curto período após o golpe – até 80 dias – então é crucial agir rápido”, alerta. 

“Por fim, procure a orientação de um advogado, especialmente se houver resistência por parte do banco em atender à solicitação de reembolso. Um profissional pode analisar o caso detalhadamente, identificar direitos adicionais e, se necessário, acionar o banco judicialmente”, conclui Melo. 

Golpes financeiros superam as vendas legítimas no e-commerce