Executivos de finanças e negócios do RS reduzem cautela com economia

5ª edição do índice do IBEF-RS mostra avanço nos indicadores de economia e ambiente internacional, enquanto mão de obra e demanda interna sobem no ranking de preocupações dos executivos.
Executivos de finanças e negócios do RS reduzem cautela com economia

Executivos de finanças e negócios do RS reduzem cautela com economia – O Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (IBEF-RS) apresentou os resultados da 5ª edição do Índice de Confiança dos Executivos de Finanças e Negócios (iCFin), em parceria acadêmica com duas das maiores instituições de ensino superior gaúchas, a Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS) e a Universidade de Caxias do Sul (UCS). A pesquisa, realizada em julho de 2026, reuniu acionistas, conselheiros, executivos e gestores financeiros de 100% das regiões do Estado.

O iCFin busca medir o nível de confiança de quem toma as decisões financeiras e de negócios no Rio Grande do Sul em relação ao desempenho da economia nacional e internacional para os próximos 12 meses. O índice varia de -5 a +5 pontos, em que +5 representa o grau máximo de confiança e -5, a ausência total dela. Além disso, o levantamento apresenta a visão dos gestores sobre aspectos como PIB, inflação, juros, câmbio, investimentos e alternativas de financiamento.

O resultado desta edição apresenta pequena melhora em comparação à edição de 2025/2, aproximando-se das expectativas registradas em 2024 e 2023. A variação ocorreu principalmente em três indicadores: o ambiente político internacional, o ambiente político nacional e a economia, com estabilidade na confiança na própria empresa e leve piora na confiança no setor de atuação. No ambiente internacional, o indicador passou de -2,32 para -1,55, movimento que pode estar associado à relativização de posições do governo americano que inicialmente afetavam setores específicos sem impactar a economia como um todo. Já a economia avançou de -1,92 para -1,57, mantendo-se em campo negativo, mas em linha com a redução do câmbio e da taxa de juros esperados para os próximos 12 meses.

O resultado mais negativo entre os indicadores pesquisados foi em relação ao ambiente político nacional, embora as preocupações tenham arrefecido de -3,24 para -3,11, segue como a posição mais negativa entre os indicadores pesquisados. Segundo o estudo, o dado possivelmente reflete tanto os desdobramentos de escândalos recentes, como o caso Master, quanto as divergências entre os poderes executivo, legislativo e judiciário, em um contexto de ano eleitoral que por si só já traz cautela ao ambiente de negócios.

Os pilares relacionados ao setor e à própria empresa seguiram os indicadores apresentados nas edições anteriores, demonstrando expectativas positivas e relativamente estáveis. A confiança no setor de atuação teve pequena piora, de +1,43 para +1,25, enquanto a confiança na própria empresa se manteve praticamente estável e otimista, de +2,11 para +2,12. O histórico do índice de confiança desde a sua primeira edição é de se situar no campo negativo ao longo de todo o período. Até o momento o índice não conseguiu ultrapassar o ponto neutro – zero – e ingressar no campo positivo. Os dois fatores que contribuem fortemente para que o resultado permaneça todo o período no campo negativo são o ambiente político nacional e internacional. Do lado positivo temos a confiança no setor e na empresa, que permanece com indicador positivo ao longo de todo o período.

A projeção de crescimento do PIB para os próximos 12 meses recuou de 1,90% para 1,62%, movimento associado pelos pesquisadores à percepção de desaceleração da economia e à carência de mão de obra relatada pelos executivos.

Quanto às fontes de financiamento planejadas pelos executivos para os próximos 12 meses, o levantamento identificou concentração em recursos próprios de caixa, reinvestimento de lucros ou novos aportes de sócios, que somados representam 62,5% das respostas, seguidos por empréstimos bancários, com 23,6%.

Entre as preocupações de negócios, a carência de mão de obra e a demanda do mercado interno ganharam destaque nesta edição, subindo no ranking em comparação aos itens atração e retenção de talentos e acesso a recursos financeiros, que haviam liderado a edição anterior. Já os fatores determinantes na decisão de investimentos permaneceram estáveis em relação ao resultado anterior, com carga tributária, custo operacional, taxa de juros e inflação no topo das prioridades, seguidos pelo crescimento do mercado interno.

Executivos de finanças e negócios do RS reduzem cautela com economia