Evento na Federasul debate gargalos logísticos – O encontro Tá na Mesa, promovido pela Federasul nesta quarta-feira (12), reuniu empresários, autoridades e representantes do setor de transporte para discutir os desafios logísticos e o cenário de reconstrução do Rio Grande do Sul. Na abertura, o presidente da entidade, Rodrigo Sousa, criticou a lentidão do governo federal na liberação de recursos e o abandono histórico das ferrovias.
“Enquanto há campanhas milionárias para atrair turistas, o país enfrenta gargalos logísticos graves. A BR-290 é um exemplo emblemático da demora nas obras e da falta de prioridade nacional. É preciso, também, resgatar a ferrovia no RS e investir na integração logística, porque disso depende o crescimento do Rio Grande e do Brasil”, afirmou Sousa.
O primeiro convidado a falar foi o secretário de Logística e Transportes, Juvir Costella, que apresentou o Plano Rio Grande — programa que concentra R$ 3,83 bilhões em investimentos estaduais em estradas, pontes e hidrovias. Ele destacou que o Estado voltou a investir com recursos próprios, sem necessidade de financiamentos, alcançando em 2024 um total recorde de R$ 1,7 bilhão aplicados pelo DAER, valor 11 vezes superior à média anual entre 2010 e 2020.
Entre os principais projetos, estão a ponte sobre o Rio Taquari (ERS-130, Lajeado–Arroio do Meio), a ponte de Santa Bárbara (ERS-431) e as obras de resiliência climática e ligações regionais, como Alegrete–Maçambará (ERS-566) e Tapejara–Charrua (ERS-430). O plano também contempla R$ 731 milhões em dragagens e infraestrutura portuária, além de investimentos em aeroportos de Caxias do Sul e Torres.
“Estamos reconstruindo com inteligência. Não se trata apenas de recuperar o que foi perdido, mas de preparar o Estado para um futuro mais seguro, competitivo e integrado”, disse Costella.
A apresentação “Presente e Futuro das Rodovias Federais Gaúchas”, conduzida pelo superintendente do DNIT/RS, Hiratan Pinheiro da Silva, trouxe um panorama detalhado das obras federais em execução e planejamento, com investimentos superiores a R$ 1,7 bilhão até setembro de 2025.
“Iniciamos esse processo em 2023 e, desde então, ampliamos o volume de obras efetivamente aprovadas e em execução, com prioridade máxima para as que têm impacto direto na mobilidade e na economia do Estado. As obras apresentadas aqui simbolizam esse esforço de planejamento e execução, consolidando entregas em 2025 e projetando novos contratos até setembro do próximo ano”, afirmou Hiratan.
A previsão é de extensão da malhar federal em 4.680 quilômetros. Entre os destaques estão a duplicação da BR-116 entre Guaíba e Pelotas, com 84,7% concluída, e a duplicação da BR-290 entre Eldorado do Sul e Pântano Grande, que soma 115,7 km e inclui travessias urbanas e pontes estratégicas. A exposição também abordou a travessia de Santa Maria, praticamente finalizada, e os projetos de novas pontes internacionais, em Jaguarão (Brasil–Uruguai) e Porto Xavier (Brasil–Argentina), além de estudos do Novo PAC e EVTEAs que preparam futuras intervenções em eixos estruturantes como a BR-285, BR-153 e BR-392.
Entre os convidados, esteve o presidente do SETCERGS, Delmar Albarello, que reforçou a importância do transporte rodoviário para o desenvolvimento e a retomada econômica do Estado.
“O transporte é o elo que faz tudo girar — é por ele que circulam o alimento, a produção e o progresso. Como vimos nas apresentações e debates aqui, ainda há muito a ser feito em termos de infraestrutura e investimento público. É fundamental avançar na conclusão de obras e na melhoria das estradas, pois cada rodovia em boas condições representa mais segurança, competitividade e desenvolvimento. A campanha Tudo Gira Sobre Rodas simboliza isso: a força de um setor que move o Rio Grande, conecta pessoas e impulsiona a reconstrução com responsabilidade e propósito”, destacou Albarello.
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