Deeptech gaúcha leva laboratório para o campo – Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a agropecuária brasileira cresceu 10,1% no segundo trimestre de 2025, refletindo um setor cada vez mais eficiente e produtivo. Neste contexto, a Zeit, deeptech especializada na otimização de processos de análises para o setor, projeta alcançar R$ 5 milhões em faturamento até 2026, impulsionada pela crescente demanda por decisões mais rápidas e baseadas em dados e pelo avanço de suas soluções de monitoramento em campo.
O crescimento é sustentado principalmente pela expansão da Nira, joint venture em parceria com o Genesis Group. A solução é voltada ao monitoramento de commodities como o farelo de soja, que amplia o controle de qualidade ao longo da cadeia. Desde janeiro, a empresa registra crescimento de 300% na base de clientes da ferramenta e opera com toda a sua capacidade, refletindo a demanda crescente do mercado. O movimento ocorre de forma orgânica, a partir da busca direta pela tecnologia.
Renan Pardinho, cofundador da Zeit, explica que o aumento da procura pela solução está relacionado à camada de segurança que ela adiciona no processo de comercialização de commodities. “Ao adquirir cargas como farelo de soja, compradores e exportadores passam a ser responsáveis pela qualidade do produto a partir do momento em que ele sai da fábrica, o que pode gerar prejuízos relevantes em casos de não conformidade, como teor de proteína abaixo do esperado. Hoje, em operações realizadas no Porto de Paranaguá, a taxa de aprovação de cargas analisadas pela Nira é de 95%”, destaca Renan.
Entre as soluções, também está o Zeit K, tecnologia que realiza análises foliares em poucos minutos direto na fazenda. A solução permite identificar com rapidez os níveis nutricionais de potássio no talhão, aumentando a eficiência da lavoura, além de evitar aplicações desnecessárias e reduzir custos. A ferramenta guia produtores, consultores e empresas de fertilizantes na tomada de decisão e reduz custo de análises em laboratórios tradicionais, que podem levar até 15 dias para entregar resultados.
A origem da startup está ligada a uma dor concreta do setor. Durante o mestrado e doutorado em Química na Universidade Federal de Santa Maria, onde a Zeit foi incubada, os fundadores identificaram que o tempo das análises laboratoriais impactava diretamente a logística. Em uma reunião com uma exportadora, entenderam a dimensão do problema: uma carga parada no porto aguardando laudo poderia gerar custo de até R$ 50 mil por dia. A partir daí, surgiu a proposta de levar o laboratório para mais perto da operação, reduzindo tempo e prejuízos ao longo da cadeia.
“No agro, as análises químicas costumam ser demoradas, enquanto muitos processos ainda são conduzidos com base em tentativa e erro. Nossa proposta é devolver esse tempo ao setor, levando mais precisão e previsibilidade”, reforça Paula Dalla Vecchia, cofundadora e COO da Zeit.
Além do avanço em receita, a deeptech projeta dobrar o tamanho da equipe até o final de 2026, acompanhando a expansão das operações e o desenvolvimento de novas soluções. A estratégia de crescimento também inclui a expansão territorial, com presença atual em cinco estados: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso e Goiás. A empresa também estrutura seu plano de internacionalização, com foco inicial em países da América Latina, como Paraguai, Argentina e Uruguai.
Deeptech gaúcha leva laboratório para o campo