Mais do que pontos de embarque: inovação, hub e turismo nos aeroportos – Só há turismo quando existe o deslocamento para outros lugares. No transporte aéreo, os aeroportos ocupam maior relevância, se tornando parte integrada da experiência turística.
A catástrofe do Rio Grande do Sul, em maio de 2024, deixou o Aeroporto Internacional Salgado Filho sem operação por 170 dias, em uma das principais épocas turísticas do estado: o inverno. Enquanto ficou submerso, os voos comerciais foram feitos em aeroportos menores, que também não estavam preparados para o aumento da operação.
Muitos voos cancelados sem previsão de retorno. Esta lacuna foi sentida nos negócios, que contabilizaram prejuízos. Tão logo retomou as atividades, o Salgado Filho registrou grande demanda com voos nacionais e internacionais.
No entanto, estes espaços não compreendem apenas ponto de embarque. O transporte, de modo geral, está inserido como o recorte mais importante do turismo em todas as instâncias e multidisciplinaridades. Por isso, a mudança no entendimento funcional dos aeroportos é tão inovadora e necessária. O ensaio ‘Turismo e transporte aéreo” (GONÇALVES, LIMA E ARAÚJO, 2021), elucida este fenômeno. Como bem colocou a tese, estes espaços deixaram de ser apenas um local de apoio ao transporte em si para ser um polo de desenvolvimento, integrando outras redes de turismo.
O Brasil é um dos principais mercados do transporte aéreo na América Latina. Em um país continental, é de grande necessidade a lógica dos hubs. O sistema atua no sentido de reduzir o custo das passagens e otimizar o tráfego aéreo, fornecendo serviços para outros aeroportos trabalhando com escalas.
A implementação do hub ampliou o fluxo de passageiros em Fortaleza, Ceará, no Aeroporto Internacional Pinto Martins, em voos internacionais e nacionais. O aumento desta demanda vinha em crescimento constante, tornando urgente a aplicação de maiores investimentos.
Ao assumir a concessão, o grupo Air France-KLM gerou uma dinâmica econômica, principalmente com as conexões aéreas no setor do turismo. O aumento deste fluxo possibilitou maior consumo do produto turístico, com nova logística de hospedagem e alimentação.
Com mais turistas, a movimentação de estrangeiros também deu salto, principalmente de 2015 a 2019, muito sobre uma política pública voltada ao turismo e direcionada ao estrangeiro. Então, as estruturas como meios de hospedagem, restaurante, acessos, sinalização (vários idiomas), toda esta infraestrutura é necessária para o turista.
Se o grande trunfo do turista que vai a Gramado é presenciar a neve e aproveitar o frio, que o transporte aéreo seja acolhedor e dinâmico, sabendo que à beira mar também pode-se contar com shopping, restaurante e espaços de lazer, todos partes do conglomerado de emoções chamado experiência turística.
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