CIEE-RS amplia atendimento a jovens em vulnerabilidade social – Com mais de 1.900 atendimentos e visitas domiciliares, o CIEE-RS, em 2025, dá um passo decisivo na consolidação de sua frente social ao transformar o projeto-piloto Jovem 360 no Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV). A mudança representa não apenas uma atualização institucional, mas a formalização do serviço como instrumento filantrópico reconhecido pela Política Nacional de Assistência Social, conforme a Resolução CNAS nº 109/2009.
Criado em 2024, o Jovem 360 surgiu como uma resposta concreta à necessidade de apoiar adolescentes e jovens entre 14 e 17 anos em situação de vulnerabilidade social, atuando em áreas que antecedem sua inserção no mundo do trabalho. Desde então, o serviço alcançou 609 jovens vinculados nos municípios de Porto Alegre, Santa Maria e São Leopoldo, superando a meta inicial de 300 atendimentos e consolidando-se como uma referência em cuidado humanizado e desenvolvimento integral.
“O Jovem 360 nasceu da compreensão de que muitos jovens não têm acesso à qualificação antes de buscar um emprego. O projeto surgiu para suprir essa lacuna, oferecendo saúde, educação, cultura, lazer, esportes e empreendedorismo — de forma integrada e acolhedora”, explica Michele Lohmann, psicóloga e coordenadora do serviço no CIEE-RS.
Com a transição para SCFV, o atendimento passou a ocorrer prioritariamente por meio de encaminhamentos realizados pelas redes socioassistencial (CRAS, CREAS, SAFs, UBS) e escolar, além da demanda espontânea. Esse modelo fortalece o vínculo comunitário e promove o acompanhamento individualizado, realizado por uma equipe multidisciplinar composta por assistentes sociais, psicólogos, pedagogos, educadores sociais e assistente administrativo.
Após a vinculação, cada jovem é integrado à Jornada 360, um percurso formativo baseado em um cronograma mensal de atividades organizadas em sete trilhas: saúde mental, empreendedorismo juvenil, letramento digital, robótica educacional, cultura e lazer, desenvolvimento humano e qualificação profissional. Essa abordagem transversal permite uma formação que vai além do técnico, promovendo também a construção de vínculos afetivos, sociais e emocionais.
Até junho de 2025, o SCFV elaborou 183 oficinas e promoveu 24 oficinas profissionalizantes, aliando capacitação com experiências coletivas que fortalecem a autonomia dos jovens. Como parte do processo de inclusão produtiva, 84 jovens foram encaminhados ao mundo do trabalho e 36 parcerias estratégicas foram firmadas com instituições públicas e privadas para ampliar oportunidades.
O SCFV também assegura o acesso a benefícios fundamentais para a permanência dos jovens, como telemedicina, exames laboratoriais, vale-transporte, lanche durante as atividades e, quando necessário, a entrega de cestas básicas — ação que já alcançou 410 famílias. Essas medidas garantem que nenhum obstáculo material comprometa o processo de aprendizagem, participação e convivência.
Desde sua criação, o serviço tem revelado histórias marcantes: jovens que retomaram os estudos, ingressaram no ensino superior, conquistaram seu primeiro emprego ou foram integrados aos programas de aprendizagem e estágio oferecidos pelo próprio CIEE-RS. Famílias também foram fortalecidas ao longo do caminho, por meio de articulações com a rede assistencial e escolar, que somaram 139 ações de integração institucional. “Nosso objetivo é que o jovem se desenvolva, alcance suas metas e saia do serviço por bons motivos, como conquistar um emprego ou voltar a estudar. É uma experiência de convivência e transformação para toda a família”, conclui Michele.
CIEE-RS amplia atendimento a jovens em vulnerabilidade social