Câmara Setorial do Tabaco realiza primeiro encontro de 2026

Representantes da cadeia produtiva se reuniram na sede da Afubra para o primeiro encontro do ano. As próximas reuniões da Câmara Setorial serão realizadas em Brasília, em 15 de julho e em 11 de novembro.
Câmara Setorial do Tabaco realiza primeiro encontro de 2026

Câmara Setorial do Tabaco realiza primeiro encontro de 2026 – A Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Tabaco realizou na segunda-feira, 23 de março, a 79ª Reunião Ordinária, reunindo representantes de entidades e lideranças do setor para discutir temas estratégicos da cadeia produtiva. O encontro foi realizado na sede da Associação dos Fumicultores do Brasil, em Santa Cruz do Sul (RS), com a participação também em formato virtual de alguns integrantes.

A abertura foi conduzida pelo presidente da Câmara Setorial, Romeu Schneider, seguida de informes da secretaria, incluindo o calendário de reuniões de 2026, que prevê encontros em Brasília nos dias 15 de julho e 11 de novembro.

Entre os destaques da pauta esteve o relato do presidente da Afubra, Marcilio Drescher, com um panorama atualizado da safra 2025/26. “Estamos com a safra 2025/26 praticamente colhida e cerca de 20% do tabaco comercializado. Nas primeiras pesquisas parciais de final de safra temos uma previsão de 685 mil toneladas, resultado um pouco inferior à anterior em virtude das questões climáticas. Ainda assim, a safra está dentro de uma normalidade”, comentou.

Com relação à comercialização, Drescher comentou que a procura por tabaco por parte da indústria é menor, com uma rigidez maior na hora da classificação, utilizando as tabelas de classes estabelecidas pela IN-10, do MAPA, que não vinham sendo utilizadas nos últimos anos. “Isso acaba frustrando um pouco o produtor. Como entidade sempre alertávamos que se continuássemos com esse tamanho de produção atingiríamos um teto, um limite de consumo interno, o que derruba o preço médio para o produtor”, frisou. Ainda segundo o presidente da Afubra, a safra foi também de pagamento recorde de indenizações, com R$ 237 milhões de auxílio mútuo destinado aos produtores associados afetados.

O representante da Confederação da Agricultura (CNA) na Câmara Setorial do Tabaco e presidente do Sindicato Rural de Irineópolis/SC, Eraldo Konkol, falou sobre a importância de oficializar um vazio sanitário para o tabaco. “O plantio de inverno tem trazido sérios problemas para os produtores, precisamos parar com essa prática e o Ministério da Agricultura pode nos ajudar a oficializar esse período, assim como faz com outras culturas”, comentou. O tema foi respaldado por Nirlei Storch, da Profigen, que comentou que o produtor tem antecipado o plantio em torno de três meses, ficando muito mais exposto ao clima e a pragas.

Na sequência, o presidente do SindiTabaco, Valmor Thesing, abordou o desempenho das exportações brasileiras de tabaco em 2025, além de analisar os impactos do cenário tarifário dos Estados Unidos sobre o setor.

Em 2025, o Brasil registrou um desempenho histórico, com exportações que alcançaram US$ 3,389 bilhões, representando um crescimento de 13,84% em relação a 2024. Em volume, foram embarcadas 561.052 toneladas, um avanço ainda mais expressivo de 23,25%, evidenciando a forte demanda internacional pelo produto brasileiro. Os principais destinos do tabaco brasileiro no período foram Bélgica, China, Indonésia, Estados Unidos, Vietnã, Emirados Árabes e Turquia, reforçando a diversificação de mercados e a presença consolidada do Brasil como líder global nas exportações do setor.

Os dados do MDIC/ComexStat demonstram que em janeiro e fevereiro de 2026 foram exportadas 63.592 toneladas, o que representa uma redução de 19,07% em relação ao mesmo período de 2025. Em termos de receita, as exportações somaram US$ 373,524 milhões, uma queda de -36,74%. “Tivemos uma queda significativa em divisas no acumulado dos dois meses e há uma tendência que essa redução permaneça, demonstrando que o mercado global está chegando a um equilíbrio de demanda e oferta”, comentou. Nos últimos cinco anos o Brasil exportou em média cerca de 515 mil toneladas de tabaco que resultaram em US$ 2,6 bilhões em divisas.

Câmara Setorial do Tabaco realiza primeiro encontro de 2026