Cacis debate impactos e incertezas da reforma tributária

Advogado tributarista Diogo Vidor apresentou detalhes da mudança que entrará em vigor a partir de 2026 durante Reunião-Almoço.
Cacis debate impactos e incertezas da reforma tributária
Foto: Thiago Maurique

Cacis debate impactos e incertezas da reforma tributária – A Câmara de Comércio, Indústria, Serviços e Agronegócio de Estrela (Cacis) reuniu empresários e lideranças para discutir os impactos da maior mudança tributária do país nas últimas seis décadas. O tema foi abordado na sexta-feira (15/08), durante Reunião-Almoço da entidade, realizada na Società Italiana Fiori Dei Piani. A temática foi conduzida pelo advogado tributarista Diogo Vidor, sócio do escritório Terra Machado e Citolin Advogados.

Com o título “Quais reformas tributárias? Entenda as consequências na atividade produtiva e no patrimônio da família empresária”, a palestra atraiu mais de 120 participantes. Vidor detalhou o funcionamento dos novos impostos que entrarão em vigor a partir de janeiro de 2026. 

A Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), que unificará PIS e Cofins, será aplicada inicialmente com alíquota de 1%, e em 2027 já passará a operar em sua totalidade. Já o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que substituirá ICMS e ISS, terá aplicação gradual até 2033, quando todo o sistema deverá estar consolidado.

O advogado, no entanto, destacou que a maior preocupação atual está na falta de clareza sobre a carga tributária final. “Essa indefinição é o ponto mais sensível para empresas e famílias empresárias, que precisam de previsibilidade para planejar investimentos e sucessões”, alertou.

O tributarista citou alterações significativas que podem mudar a rotina financeira das empresas. Uma delas é a possibilidade de quem está no Simples Nacional recolher o IVA-dual de forma destacada, permitindo que os compradores tenham direito a créditos tributários. Outra inovação é o split payment, sistema que prevê a cobrança do imposto no ato da venda.

Segundo o palestrante, hoje, os contribuintes têm em média 50 dias para quitar o tributo devido. Com o split payment, o recolhimento será simultâneo à transação, o que antecipa o pagamento e impacta diretamente o fluxo de caixa. “Isso vai exigir uma nova organização financeira e administrativa, sob pena de gerar estrangulamento”, explicou.

Nova ponte no Rio Taquari

Presidente da Cacis, Claus Wallauer, abordou a necessidade de uma nova ponte sobre o Rio Taquari durante a reunião, destacando que a infraestrutura de transporte não acompanha mais a dimensão da economia do Vale. “Hoje precisaríamos de pelo menos cinco novas pontes, e no futuro talvez dez. Mas se não houver união em torno de um primeiro projeto, nenhuma delas sairá do papel”, afirmou.

Segundo ele, a Cacis está engajada junto às demais entidades empresariais, sob liderança da CIC-VT, na defesa da travessia entre Estrela e Cruzeiro do Sul. O presidente da entidade afirma que o este é o projeto mais consistente, fruto de estudos técnicos e de longo debate. “Setenta por cento da economia gaúcha passa pelo Vale do Taquari, e precisamos de uma logística compatível com essa relevância. Não é apenas uma obra local, é um investimento estratégico para o desenvolvimento regional e estadual”, completou.

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