95% das empresas gaúchas enfrentam problemas em cadastros – Quase todas as empresas gaúchas convivem com um problema silencioso que afeta desde a emissão de uma nota fiscal até projetos de inteligência artificial. Levantamento da empresa especializada em governança de dados 4MDG mostra que 95% das companhias apresentam falhas em seus cadastros, como registros duplicados, informações incompletas ou dados desatualizados. Em cerca de metade dos casos, o problema não está no sistema utilizado pela empresa, mas em erros de preenchimento e falta de padronização das informações.
Embora pareçam pequenos, esses erros se espalham por toda a operação. Um fornecedor cadastrado duas vezes, um produto descrito de maneiras diferentes ou um endereço incorreto podem provocar compras duplicadas, divergências de estoque, atrasos na logística, erros fiscais, dificuldades de atendimento e até decisões equivocadas baseadas em relatórios inconsistentes.
Com o avanço da inteligência artificial nas empresas, a qualidade dos dados passou a ganhar ainda mais importância. Isso porque sistemas de IA utilizam as informações já existentes nas bases corporativas para gerar análises, previsões e recomendações. Quando esses dados estão incorretos, a tecnologia tende a reproduzir os erros em maior velocidade.
“As empresas costumam concentrar os investimentos na inteligência artificial, mas esquecem que ela depende de informações confiáveis para funcionar bem. A tecnologia não corrige dados ruins; ela apenas trabalha com aquilo que recebe”, explica Paulo Cordeiro, CEO e fundador da 4MDG.
Os impactos também aparecem no caixa das empresas. Segundo a Parseur, dados inconsistentes podem consumir, em média, 12% da receita das organizações. Já levantamento da Shelf estima perdas anuais entre US$ 12 milhões e US$ 15 milhões, podendo superar US$ 400 milhões em grandes corporações.
Os problemas afetam inclusive a implementação da inteligência artificial. Pesquisa da Fivetran mostra que 42% das empresas enfrentaram atrasos ou fracasso em mais da metade dos projetos de IA por dificuldades relacionadas à preparação dos dados. Outro estudo, da VentureBeat, aponta que até 87% dos projetos de inteligência artificial não chegam à fase de produção devido à baixa qualidade das informações disponíveis.
A preocupação com esse tema tem levado empresas gaúchas a investir mais em governança de dados. De olho nesse movimento, a 4MDG iniciou uma operação em Porto Alegre para atender clientes da região. O Rio Grande do Sul já representa o segundo maior mercado da empresa, atrás apenas de São Paulo, impulsionado pela presença de grandes indústrias, empresas do agronegócio, instituições financeiras e um ecossistema de tecnologia em expansão.
Segundo Flávio Luiz Rocha Nunes de Souza, diretor de operações da 4MDG, a presença local permitirá acompanhar mais de perto os projetos desenvolvidos no Estado. “O Rio Grande do Sul possui um ambiente empresarial bastante tecnológico e empresas que estão acelerando seus processos de transformação digital. Estar presente na região facilita o atendimento, reduz o tempo de implantação dos projetos e aproxima nossa equipe dos clientes”, afirma.
A plataforma da empresa automatiza a organização e a padronização de informações sobre clientes, fornecedores, materiais e produtos, identificando registros duplicados e inconsistências antes que eles gerem impactos na operação. Segundo a companhia, esse processo pode reduzir em até 75% o tempo gasto pelas equipes para cadastrar novas informações, além de diminuir o retrabalho e aumentar a confiabilidade dos dados utilizados pelas diferentes áreas da empresa.
Para Paulo Cordeiro, a gestão dos dados deixou de ser uma preocupação restrita à área de tecnologia. “Hoje praticamente todas as decisões dentro de uma empresa dependem de dados. Quando essas informações não são confiáveis, o problema afeta compras, vendas, estoque, logística, financeiro e atendimento. Organizar esses dados deixou de ser apenas uma questão operacional e passou a ser uma necessidade para empresas que querem crescer utilizando inteligência artificial e automação”, conclui.
95% das empresas gaúchas enfrentam problemas em cadastros