Rastreabilidade de resíduos ajuda no combate a fraudes na reciclagem

Para o Grupo Sygecom, sediado em Alvorada, tecnologia de rastreamento ponta a ponta é a única forma de substituir a autodeclaração por dados verificáveis e combater fraudes, desvios e informalidade..
Rastreabilidade de resíduos ajuda no combate a fraudes na reciclagem

Rastreabilidade de resíduos ajuda no combate a fraudes na reciclagem – O Rio Grande do Sul vive, em 2026, um debate urgente sobre a gestão de resíduos, associado à necessidade de aumentar os fluxos de reciclagem e combater crimes ligados a essa atividade no estado. No primeiro semestre, o Ministério Público deflagrou a Operação Reciclagem para investigar fraudes em licitações e contratos de coleta e destinação de lixo em 15 prefeituras gaúchas, enquanto Porto Alegre instalou uma CPI para investigar o roubo de fios e cabos de cobre na capital. Em Caxias do Sul, o programa Caxias Mais Limpa já recolheu mais de 2,3 mil toneladas de resíduos descartados irregularmente e aplicou R$ 56 mil em multas. Para especialistas do setor e do Grupo Sygecom, empresa gaúcha que desenvolve tecnologias para a reciclagem há mais de 20 anos, são casos que refletem um problema estrutural: um estado que ainda opera no escuro quando se trata de rastrear propriamente seus resíduos.

O Brasil gera cerca de 81,6 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos por ano, segundo o Panorama dos Resíduos Sólidos 2025, da Abrema. Desse total, apenas 8,7% seguem para a reciclagem, enquanto 40,3% têm disposição final inadequada, indo parar em lixões, aterros controlados, terrenos baldios ou na natureza. O Plano Nacional de Resíduos Sólidos estabelece a meta de elevar os índices de reciclagem para 48% até 2040, mas, sem rastreabilidade garantida em todo ecossistema, esse objetivo é considerado inatingível pelos especialistas.

— Rastrear o resíduo é amarrar cada carga a uma origem e a um destino, com controle de peso em todas as etapas, fotos comprobatórias e registros de quem “assinou” pela carga em cada ponta. A maioria das empresas de reciclagem ainda opera com planilhas, grupos de mensagens e a pura confiança quando se trata de gestão e monitoramento. E, no Brasil, a fiscalização ainda trabalha com papel e telefone, com equipes pequenas para cobrir áreas muito grandes, sem sistema integrado ou cruzamento de dados. Há muitas lacunas que precisam ser superadas — diz Robinson König, sócio-fundador e diretor comercial da iSat, empresa do Grupo Sygecom.

Formado pela Sygecom, iSat e WasteBank, o Grupo Sygecom tem sede em Alvorada (RS) e oferece um ecossistema de tecnologias que garantem a rastreabilidade do resíduo ponta a ponta, desde os catadores que coletam os materiais até as indústrias que os processam. As tecnologias abrangem as pontas de gestão, logística e bancarização da reciclagem.

O grupo desenvolveu sistemas que substituem práticas de autodeclaração na gestão de resíduos por dados verificáveis: pesagem eletrônica com fotos da balança, biometria de quem realiza a venda, localização da origem dos materiais e rastreamento de frotas em tempo real. Isso ajuda a garantir informações precisas, como o volume de material beneficiado ou descartado, e a mensuração do impacto das atividades de reciclagem nos municípios.

O CEO do Grupo Sygecom, Dinho Machado, participa ativamente de conversas com gestores públicos, empresários da reciclagem, donos de cooperativas e catadores do Rio Grande do Sul. Para o especialista, a evolução do tema no estado depende da rastreabilidade como solução para mitigar fraudes e estimular a confiança:

— O Rio Grande do Sul reconhece que a gestão correta de resíduos é necessária no combate às mudanças climáticas e temos essa vocação, evidenciada pela quantidade de cooperativas, negócios setoriais e catadores pelas cidades. Mas pequenos empreendedores e profissionais autônomos ainda carecem de formalização, com dificuldades para emitir notas e comprovar os volumes negociados. Enquanto isso, a administração pública luta para combater o roubo do cobre, expandir a coleta seletiva e aprimorar os sistemas de beneficiamento dos resíduos. É essencial conectar todas as partes e ter dados precisos sobre essa atividade.

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