Copom corta Selic em 0,25 ponto e BC adota tom mais duro – O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu nesta quarta-feira (5) a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, em decisão unânime já amplamente esperada pelo mercado. Apesar do corte, o comunicado chamou atenção pelo tom mais cauteloso em relação à inflação, indicando que a autoridade monetária deve seguir vigilante diante dos riscos internos e externos antes de promover novos afrouxamentos na política monetária.
Para Augusto Parente, especialista em investimentos e sócio da AW Capital, a redução dos juros foi acertada mesmo diante de um cenário que ainda inspira cautela.
“O tom do comunicado veio cauteloso, chamando atenção para os choques inflacionários com a alta do petróleo e efeitos climáticos que impactam o custo de energia. Acredito que a decisão de queda de juros foi acertada, visto que apesar de um tom cauteloso, seguimos com o juro real elevado e temos também alguns pontos positivos com relação a pressão inflacionária, como por exemplo, o preço das commodities mais baixo e uma desaceleração da atividade econômica maior do que a projetada pelo banco central.”
Segundo o especialista, a decisão não representa uma mudança significativa em relação à comunicação adotada pelo Copom na reunião anterior. “Entendo que não há grande diferença entre os comunicados de junho e de agosto, entretanto, o Copom decide por cortar os juros já que este movimento não vai impactar a convergência da inflação para a meta do longo prazo.”
Na avaliação de Parente, a postura conservadora deve permanecer ao longo dos próximos meses, especialmente em função do cenário internacional. “Espero que a cautela se mantenha até o final de 2026, em função do cenário externo e a possibilidade de juros mais altos no mercado americano. Acredito que o impacto da alta do petróleo pode ser sentido nos mercados por mais tempo.”
Para os ativos brasileiros, o especialista acredita que a decisão tende a ter impacto limitado, já que o mercado vinha precificando o resultado da reunião. “Sem dúvidas, o comunicado já vinha sendo bem precificado no mercado e acredito que a amanhã há pouco espaço na bolsa para grandes oscilações que venham apenas do tema COPOM, já que não veio nenhuma surpresa. As tendências de curto prazo devem se manter em dólar, juros e bolsa.”
A leitura de Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, é de que o corte confirmou as expectativas, mas o comunicado foi mais duro do que parte do mercado esperava.
“Veio aquele corte de 0,25 que todo mundo esperava. Decisão unânime. Então, isso bem compatível com o esperado. Eu entendo que o comunicado foi um pouco mais hawkish do que o esperado, apesar do reconhecimento de alguns pontos de melhora.”
Segundo Perri, embora o Banco Central tenha reconhecido a desaceleração da atividade econômica, o documento endureceu a avaliação sobre o mercado de trabalho e manteve a preocupação com as expectativas de inflação.
“Então, em relação à atividade, o Copom reconhece que houve a moderação da atividade, então isso poderia ser entendido como um sinal dovish. Mas aí, quando a gente vai olhar para o que ele traz sobre o mercado de trabalho, ele deixa de falar de resiliência do mercado de trabalho e passa a falar do mercado de trabalho aquecido, ou seja, ele endurece aqui um pouquinho a interpretação dele do mercado de trabalho.”
Na avaliação do economista, o comunicado também reduz a probabilidade de novos cortes da Selic no curto prazo.
Copom corta Selic em 0,25 ponto e BC adota tom mais duro