Varejo farmacêutico gaúcho cresce 57,7% em quatro anos

No período entre maio de 2022 e maio de 2026, o mercado farmacêutico do Estado passou de R$ 11,4 bilhões para R$ 18 bilhões em faturamento.
Varejo farmacêutico gaúcho cresce 57,7% em quatro anos
Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil/Divulgação

Varejo farmacêutico gaúcho cresce 57,7% em quatro anos – O varejo farmacêutico do Rio Grande do Sul movimentou R$ 18 bilhões no acumulado de 12 meses até maio de 2026, registrando crescimento de 57,7% em relação ao mesmo período de 2022. Os dados da IQVIA mostram que o mercado gaúcho manteve trajetória positiva, mas também revelam uma mudança importante no perfil competitivo do setor: o crescimento tem sido impulsionado principalmente por modelos de operação mais estruturados, com maior capacidade de integração, escala e gestão.

No período entre maio de 2022 e maio de 2026, o mercado farmacêutico do Estado passou de R$ 11,4 bilhões para R$ 18 bilhões em faturamento. O avanço acompanha a expansão nacional do setor, mas evidencia diferenças relevantes entre os formatos de operação.

Para o sócio-fundador e presidente da Alpha7 Software, Stephenson Seleber, o momento atual representa uma transformação no varejo farmacêutico gaúcho. “O mercado continua crescendo, mas a forma como as empresas capturam esse crescimento está mudando. Hoje, não basta apenas vender mais. É preciso ter controle da operação, conhecer os indicadores do negócio e tomar decisões com base em informações confiáveis”, afirma.

Redes estruturadas avançam em ritmo superior no Estado

Segundo os dados da IQVIA, entre maio de 2022 e maio de 2026, as redes associadas à ABRAFARMA registraram crescimento de 84,4% no Rio Grande do Sul, passando de R$ 6,7 bilhões para R$ 12,4 bilhões em faturamento.

O desempenho das associações e franquias também foi positivo, com crescimento de 46,4% no período, enquanto a FEBRAFAR apresentou expansão de 47,3%, passando de R$ 2,28 bilhões para R$ 3,36 bilhões. Já as farmácias independentes registraram redução de 6% no faturamento no período analisado, passando de R$ 1,01 bilhão em maio de 2022 para R$ 949,6 milhões em maio de 2026.

Na avaliação de especialistas, os números não indicam uma perda de relevância das farmácias independentes, mas apontam para uma necessidade de evolução dos modelos de gestão. A capacidade de competir passa cada vez mais pela profissionalização dos processos e pelo uso estratégico da tecnologia. “O varejo independente tem uma característica muito forte no Brasil e especialmente no Sul, com empresários próximos do consumidor e grande conhecimento regional. O desafio agora é transformar essa proximidade em uma operação ainda mais eficiente, com ferramentas que permitam competir em um mercado mais profissionalizado”, explica Seleber.

Tecnologia deixa de ser diferencial e passa a ser ferramenta de competitividade

A diferença de desempenho entre os modelos de operação tem relação, entre outros fatores, com o nível de organização dos processos e utilização de sistemas de gestão. Grandes redes normalmente operam com plataformas integradas, que permitem acompanhar vendas, estoque, compras, financeiro e indicadores de desempenho em tempo real. Já muitas farmácias independentes ainda convivem com sistemas fragmentados, controles paralelos e dificuldades para consolidar informações da operação.

Segundo Seleber, essa diferença influencia diretamente a capacidade de decisão dos empresários. “Quando o gestor precisa buscar informações em diferentes lugares, ele perde velocidade. Uma operação farmacêutica precisa saber, por exemplo, quais produtos têm maior giro, onde estão as oportunidades de margem, como está o estoque e qual é o impacto financeiro das decisões tomadas”, afirma.

Para o executivo, a modernização tecnológica não deve ser vista apenas como uma troca de sistema, mas como uma evolução do modelo de gestão. “A tecnologia precisa estar a serviço do empresário. O objetivo não é simplesmente informatizar processos, mas permitir que o dono da farmácia tenha uma visão mais clara do negócio e consiga agir antes que os problemas apareçam”, complementa.

Associativismo mostra caminho de fortalecimento para farmácias regionais

O desempenho da FEBRAFAR no Rio Grande do Sul também reforça o papel dos modelos associativistas como alternativa para farmácias que buscam maior competitividade sem perder sua independência empresarial.Com crescimento de 47,3% entre maio de 2022 e maio de 2026, o modelo demonstra que a união de empresários independentes, aliada a estratégias de gestão, inteligência de mercado e ferramentas adequadas, pode gerar ganhos de competitividade.

Varejo farmacêutico gaúcho cresce 57,7% em quatro anos