RS se destaca em negócios digitais milionários

O Rio Grande do Sul lidera a região Sul com 72 municípios que abrigam operações digitais com faturamento acumulado superior a R$ 1 milhão.
RS se destaca em negócios digitais milionários

RS se destaca em negócios digitais milionários – Historicamente concentrada no eixo das grandes capitais, a geração de riqueza e a retenção de talentos no Brasil passam por uma descentralização acelerada. A expansão do empreendedorismo digital está subvertendo a lógica da migração por necessidade, permitindo que o interior do país exporte serviços e conhecimento em escala global.

Um levantamento inédito da Hotmart, empresa global de tecnologia líder no mercado de negócios digitais, identificou 620 municípios brasileiros que já abrigam operações com faturamento líquido acumulado superior a R$ 1 milhão. O dado central do estudo, no entanto, é o impacto macroeconômico dessa capilaridade: a tecnologia viabilizou modelos de negócio altamente escaláveis fora dos grandes centros e transformou microempreendedores em exportadores. Atualmente, um em cada três empreendedores brasileiros na plataforma já realiza vendas internacionais, injetando divisas no país e registrando transações para mais de 180 países.

Essa mudança estrutural é impulsionada pela maturidade do consumo digital e pelo salto de infraestrutura Segundo dados da DataReportal citados nos relatórios Digital 2015 e 2025: Brasil, na última década, o acesso à internet no Brasil saltou de 54% para 86%. Como reflexo direto na economia de serviços, enquanto em 2015 apenas 1 em cada 100 brasileiros havia consumido um produto digital via Hotmart, em 2025 essa proporção saltou para 1 em cada 4.

O fim da barreira geográfica: A capilaridade geográfica evidencia que a exportação de conhecimento independe da densidade demográfica. Em São Raimundo Nonato (PI), cidade com 38,9 mil habitantes conhecida pelo Parque Nacional Serra da Capivara, os advogados Victor Carvalho e Ambrenna Carvalho estruturaram a Acadiprev. O negócio digital focado em advocacia previdenciária rompeu as fronteiras do sertão piauiense e já formou mais de 46 mil alunos em todos os estados do Brasil.

O mesmo fenômeno de retenção de talentos locais ocorre em São João do Itaperiú (SC), município com apenas 4,5 mil habitantes. A partir de lá, a empreendedora Diana Demarchi transformou sua expertise técnica em modelagem e costura na Escola de Costurar, um negócio milionário e de demanda global, provando que habilidades de nicho possuem alta viabilidade econômica quando conectadas à infraestrutura correta. Há registros de operações tracionadas até mesmo em cidades com pouco mais de 2 mil habitantes, como Inhacorá (RS).

“O que os dados nos mostram é uma mudança no paradigma do emprego e da renda. Os negócios digitais deixaram de ser uma atividade complementar para se consolidarem como uma espinha dorsal de desenvolvimento regional. Pela baixa barreira de acesso, o ecossistema da Hotmart permite que talentos permaneçam em suas cidades de origem enquanto escalam suas operações para o mundo. É a quebra definitiva da barreira geográfica para a geração de impacto econômico”, analisa João Pedro Resende, CEO e fundador da Hotmart.
Inteligência Artificial como motor de eficiência e produtividade

O levantamento também aponta que a consolidação desta economia tem a Inteligência Artificial como vetor central de aceleração de negócios. A curva de aprendizado e o chamado “vale da morte” do empreendedorismo — período inicial em que novos negócios enfrentam maior risco de quebrar antes de se tornarem lucrativos — encurtaram drasticamente: hoje, um criador de conteúdo leva 33% menos tempo para realizar sua primeira venda em comparação com a década passada.

A Hotmart credita esse ganho de eficiência à integração da IA em toda a esteira do negócio. Além do salto no consumo de produtos educacionais sobre IA — que registram crescimento médio de 115% ao ano (CAGR) desde 2020 —, a empresa incorporou agentes inteligentes que automatizam desde o suporte e a recuperação de vendas em atraso até a conversão de leads e geração de produtos físicos sob demanda. Isso permite que empreendedores operem estruturas enxutas com altíssima margem e escalabilidade corporativa.

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