B3 registra avanço feminino e gaúchas impulsionam crescimento

As mulheres já representam 26% do total de investidores na B3.
B3 registra avanço feminino e gaúchas impulsionam crescimento

B3 registra avanço feminino e gaúchas impulsionam crescimento – O número de mulheres investindo em ações e outros produtos de renda variável no Brasil segue em trajetória de expansão, com participação recorde na B3, a Bolsa de Valores brasileira. Dados recentes da própria B3 mostram que, em 2025, cerca de 55 mil novas mulheres passaram a investir em renda variável em todo o Brasil, elevando o total de investidoras para 1.436.232 CPFs ativos, o que representa cerca de 26% do total de investidores cadastrados na bolsa. Desde 2021, esse crescimento acumulado foi de 41%, um ritmo que vem se mantendo ano a ano.

No Rio Grande do Sul, assim como em outros estados, a presença feminina nos investimentos em renda variável também tem crescido. Em 2024, eram 71,5 mil investidoras, passando para 72,9 mil em 2025, um aumento próximo de 2%. Especialistas atribuem esse crescimento a uma combinação de fatores que têm facilitado o acesso das mulheres ao mundo dos investimentos. Para o líder regional da XP no Sul, Renato Sarreta, os números refletem mais do que uma estatística e traduzem uma mudança cultural profunda. “As mulheres demonstram interesse por diversificar as suas finanças, um comportamento que reflete a busca por segurança financeira, independência e a possibilidade de aumentar a renda. Isso mostra que não estão apenas chegando ao mercado; estão construindo trajetórias sólidas no longo prazo”, afirma Sarreta, destacando o papel da educação e da orientação profissional na jornada das investidoras. O especialista aponta outros fatores complementares:

1. Educação financeira em alta
Programas de educação financeira, cursos online e iniciativas de empresas e instituições têm ajudado muitas mulheres a entender melhor conceitos de risco, retorno e diversificação. “Isso aumenta a confiança para começar e ampliar a jornada de investimentos”, diz.

2. Acesso ampliado a alternativas de mercado
A digitalização das plataformas de investimento e a oferta de produtos mais acessíveis, como fundos, ETFs e títulos públicos, permitem que mulheres com diferentes perfis e orçamentos entrem no mundo financeiro com mais facilidade.

3. Assessoramento profissional em expansão
A figura do assessor de investimentos, de acordo com Renato Sarreta, se tornou cada vez mais importante na decisão de entrada e na estratégia de alocação. “Assessores e consultores têm oferecido orientação personalizada para novos investidores, ajudando a desmistificar o mercado e a definir planos compatíveis com os objetivos individuais, especialmente para quem está começando”, diz.

Esse movimento também se reflete na própria carreira das mulheres dentro do mercado financeiro. De acordo com dados da Associação Nacional das Corretoras de Valores (Ancord) — regulada pela CVM e obrigatória para atuar como assessor de investimentos em escritórios vinculados a corretoras — a profissão cresceu 185% em cinco anos, passando de 2 mil mulheres em 2020 para 5,7 mil em 2025. Atualmente, elas representam 21% dos 27,5 mil assessores de investimentos registrados no país. O avanço demonstra não apenas maior interesse feminino em investir, mas também em atuar diretamente na orientação estratégica de outros investidores.

Entre os nomes que representam essa transformação está Natália Pinto, de 40 anos. Moradora de Porto Alegre, ela atua no mercado financeiro há quase duas décadas, dos quais cinco anos está na XP, onde trabalha como Banker Unique — segmento voltado a clientes com grandes patrimônios e que demandam um alto nível de personalização no atendimento. “Costumo dizer que sou especialista em cuidar de grandes patrimônios, mas, na prática, estou lidando com histórias de vida, projetos familiares e construção de legado”, afirma. Segundo Natália, seu trabalho consiste em compreender de forma profunda a realidade financeira de cada cliente para contribuir na proteção, organização e crescimento do patrimônio, tanto no Brasil quanto no exterior.

Mãe de dois filhos, ela destaca que a carreira no mercado financeiro exige disciplina, mas também abre portas para desenvolvimento e crescimento profissional. Natália também busca desconstruir a ideia de que o setor é predominantemente masculino. “Percebo cada vez mais mulheres conquistando espaço e ampliando sua influência nesse mercado tão dinâmico, ajudando a tornar o ambiente diverso”, ressalta.

O líder regional da XP no Sul, Renato Sarreta, também observa esse avanço no perfil do mercado. “As mulheres estão cada vez mais presentes: investem, orientam e contribuem para que o setor se torne progressivamente mais representativo”, afirma.

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